Verde, esperança

 Na farmácia, com máscaras, álcool em gel e todos os medos possíveis (sim, estou paranóica), não quero falar com ninguém, quando o caixa interrompe a minha paranóia:


- Coloque o CPF, moça!
- Pronto
- Patrícia? Falando com seu xará!
- Patrício?
- Sim
- Que raro! Rezou a couraça de São Patrício hoje?
- Que couraça? Não conheço. Mas peço todo dia para ele me proteger
- Pois procure no Google, é linda e forte!
- Eu não sei a reza, mas sei tudo sobre ele, pesquisei na internet
- Ah é?
- Sim, o dia dele é 17 de março.

Dispara a minha metralhadora paranóica: "17 de março, dia da morte do seu pai, mas também, dia do aniversário de Zeca, e de Aracaju, cidade que te acolheu".

Fico calada, não vou dividir as minhas loucuras com o simpático trabalhador. Então, suave continuo:

- Que legal! Aniversário da nossa cidade
- Isso. A senhora sabe de onde ele era?
- Não
- Da Irlanda
- Uau! Amo a Irlanda, por causa do U2. Dizem que são os brasileiros da Europa, muito alegres
- Sim, tem uma festona lá, toda verde
- Ah é ... aquela festa da cerveja verde é o Dia de São Patrício. Bem lembrado. Obrigado, fica com Deus.
-- Boa noite!

A metralhadora dispara mais uma vez, mas paranóica ou não, me manda uma boa mensagem:

"Verde, esperança".

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