Abgail
Abgail era uma roseira como todas as outras compradas em supermercado, vistosa, linda, mais que não passava de um mês de vida, logo fenecendo, por mais que as regasse. No entanto, querendo prolongar a vida dela, tomei algumas atitudes diferenciadas. Primeiro batizei-a, dei-lhe um nome, tirei-a do anonimato, imitando uma prática utilizada por um grande amigo meu, de dar nome a várias coisas em sua casa, até como inanimadas, como um quadro. Meu amigo é um sábio, sabe estreitar relações, dobrar os afetos. Dar nome é trazer para perto, criar intimidade. Nunca tinha pensado nisso.
A segunda atitude, quase que instintiva, foi oferecer Abgail a Santa Terezinha, e colocar, ao lado do vaso, uma caderneta de anotações cuja a capa traz a fotografia da Santa.A terceira atitude foi planta-la, retirá-la do vasinho sufocante do supermercado, recheia-la de terra fresca, rega-la e lhe dar bom dia.
Acanhada como um bebê quando chega ao mundo, observa-a vários dias sem me dar uma resposta, calada, em seu novo caqueiro, observando os meus cafés da manhã. E eu, como sempre, dizendo “bom dia, Abgail”.
Depois de um mês, chegou aqui uma grande amiga, com uma imagem de Santa Terezinha para mim. Imediatamente entendi o recado do céu. A minha roseira já tinha dona. Enquadrei a capa do bloco, que virou um porta-retrato, placei-o ao lado da imagem, fui ao quintal e falei para Abgail: - É minha querida, você é da santinha.
Uns dois, três dias depois, a roseira começou a brotar os seus botões, um seguido de outro, e ainda tem mais para nascer.
Por que estou contando a história de Abgail, a roseira de Santa Terezinha? Porque aprendo, no dia-dia, e cada vez mais, que milagres existem, acontecem a todo momento, mas não se fazem sozinhos, dependente também da nossa ação, da atenção que dispensamos às causas, ao amor determinado.
No fim das contas, tudo é amor. É ele que faz o milagre, como dizia a querida santinha das rosas.

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