A pandemia e a violência doméstica
Dizem que em mulher não se bate nem com uma flor. Mas durante a pandemia, pesquisa sobre feminicídio conta uma mulher assassinada a cada 9h no Brasil. Talvez sejam mais, devido ao grande número de omissões, subnotificações ou registros de homicídio comum.
Há muito tempo, Jesus dava ao patriarcado uma das maiores lições sobre igualdade humana, impedindo o apedrejamento em via pública de uma mulher acusada de adultério. Nem sei contar quanto tempo tem isso. O fato é que o respeito à mulher e às suas escolhas, o reconhecimento dos seus valores enquanto ser inteiro, e não apêndice de homem, peça decorativa, adorno, consolo ou objeto para ser usado, aplicação e subjugado ainda é coisa rara.A mulher continua sendo molestada em casa por seus parentes, filmada pela janela, fotografada na rua, bulinada no consultório, assediada pelo chefe, difamada e ridicularizada nas bancadas legislativas, estupradas em locais que seguem ser sagrados, e espancadas e mortas nos lares, brutalmente mortas, às vezes na presença dos filhos, como foi o caso dos juízes carioca, agora, em pleno Natal.
Sendo gente, ainda me escandalizo e estou de luto pelas crianças, que nesse momento também estão mortas, podendo a vida renasce-las ou não.
Também me entristece o fato de saber, intimamente, que nós mulheres também somos culpadas por esse ciclo interminável de violência, devido o nosso silêncio, a nossa apatia, a nossa omissão e nossa falta de sororidade.
Dentro de nós, até da mais jovenzinha, mora o pré-conceito, uma competição, a inveja, alimentando o jogo social perverso e machista, que defende o homem e justifica as suas más orientações. Tem mulher que ainda confunde ciúmes e possui doentias com amor e cuidado, e se sente valorizadas por isso. Que triste!
Tomemos juízo! Salvemo-nos umas às outras, façamos barulho, denunciemos condutas que nos machucam, nos desrespeitam, nos matam aos poucos, mesmo que sem faca ou tiros, pois, do contrário, nunca teremos como 💐 que merecemos.

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