Festival do Rio 2021

 


Enquanto sopramos como cinzas da nossa memória cultural, o Festival do Rio 2021 encerra hoje com o filme premiado da Costa do Marfim, "Noite de Reis", ode ao nosso maravilhoso "Cidade de Deus", citado literalmente em diálogo entre os personagens. É a força do cinema nacional, que atravessa mares e comprova valor eterno, não importa o que se faça para impedir.

Até entendo o desprezo dos governantes brasileiros pela cultura, pois posso garantir que em uma semana a minha consciência se expandir alguns, e esse é, e sempre foi, o pavor da política nacional, ter que lidar com cidadãos esclarecidos. Realmente, conduza gados é mais simples que conduza pessoas mirando estrelas, como diz o poeta cubano José Julián Marti Perez, no poema Yugo Y Estrella.

Mas, voltando à programação da mostra, disponibilizada pelo Telecine Play, destaco os franceses "Slalom", sobre pressão psicológica e abuso sexual de menor idade em ambiente esportivo; "A Boa Esposa", onde escola de boas maneiras vê ruir suas crenças ante a revolução político-social de 68 e "Verão de 85", um romance entre adolescentes na Normandia dos anos 80.

Da China veio "Dias Melhores", drama maravilhoso , passado em Hong Kong, revelando às consequências desastrosas do bullying no ambiente escolar.

O encantamento continua com o ator-bailarino Mads Mikkelsen no papel principal de "Druk", filme dinamarquês, propondo certa dose de transgressão para sobreviver às pressões sociais.

Principalmente para as mulheres fica a dica de "Bela Vingança, ganhador do Oscar de roteiro original, que relata caso de estupro em faculdade de medicina, e os traumas decorrentes da agressão, e" A candidata perfeita ", sobre a luta de uma médica para ser respeitada na Arábia Saudita, país onde a mulher ainda é vista como um apêndice do homem.

De fato, impossível ficar indiferente à arte de qualidade e não refletir sobre temas tão relevantes para a sociedade atual.

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