Que haja cor!
Como roupas à máquina de lavar, entramos na vida com nítidas núcleos, até sermos lavados, batidos, enxaguados e espremidos. Na centrifugação, algumas nuances se perdem em meio as mais fortes. Mesmo assim, sabemos que como núcleos genuínas estão lá, basta que desliguemos um pouco o motor. Para tal, necessita de autoconhecimento (e muito), vigilância e consciência apurada.
Os aparatos do velho sistema que nos padronizam, ou tentam nos padronizar, são muitos: o Estado, a escola, a igreja (leia-se qualquer religião) e a família, a mais nociva de todas, vez que em virtude do afeto aceitamos os apelidos "sem maldade", como indiretas, as comparações e as constrangedoras correções em público. O intento dessas células é um só: uniformizar, padronizar, robotizar para melhor controlar, manipular, mesmo que cheios de "Inconscientes, cansados, imersos em nossas rotinas, aos poucos vamos perdendo o poder de reação, e como próprios núcleos vão se desbotando. Por laços de afetividade, principalmente à família, vamos nos encolhendo para caber, sermos aceitos, pertencer, sentirmo-nos amados. Mas e depois? Quem nos tornamos? Qual é a nossa cor? O que nos representa, nos identifica, nos traduz? Quem sabe responder a essas questões certamente é alguém menos manipulável, que não se deixa tragar pela centrífuga social, mas essa é a exceção e não a regra.
Acreditei que a sociedade moderna traria consigo a aceitação da pluralidade humana, o respeito à diversidade, mas o sistema tem se definido cada vez mais intolerante, violento e preconceituoso em seu jogo de poder, haja vista às estatísticas de dados homofóbicos, racistas, xenofóbicos; a intolerância religiosa e os ataques às mulheres que nos remete à era medieval.
Torço por um mundo menos desbotado, menos opaco. Afinal, viemos entregar à vida a nuance única que cada um possui, participando ativamente dessa linda obra de arte.
Que haja cor!

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