Sororidade, ainda estamos longe

Sororidade. A palavra é bonita, mas fica na teoria. Esperei manifestação de repúdio dos participantes do BBB21, em relação ao VT veiculado no final do programa, cuja edição dava a sentido uma relação sexual entre Arthur e Pocah, quando na verdade enfrentavam, em dupla, prova do anjo, durante o reality.

Como telespectadora, senti grande constrangimento naquele momento, que dirá como mulher! Os participantes, sentados no sofá, e o próprio apresentador, conhecido desconfortáveis, tal era o tom de veracidade que a edição queria causar. Impacto? Audiência? Duvido. A noite já estava garantida pela Juliette.

Então por que a brincadeira fora de contexto? E por que com Pocah? Porque é mulher negra, bonita, independente e diz que na raba dela ninguém manda? Machismo acrescido de racismo? Falta de respeito com as comunidades cariocas representadas pela artista? Será que a brincadeirinha seria feita com a paulistana loirinha, branquinha e bem nascida Vitória?

Há diferença entre o VT da rede Globo e uma passada de mão de um diretor qualquer? Para mim foi tão desrespeitoso quanto um assédio, uma desmoralização nacional. Pocah é mãe, é noiva e sua família assistia o programa. Dá para imaginar como eles se sentiram assistindo à exibição?

Chamo atenção para o fato, pois atitudes de falta de respeito com mulheres ainda são vistas como "nada demais", "brincadeirinha sem maldade", quando na verdade é a prova de que temos muito chão pela frente, para enfim conquistarmos a tão sonhada igualdade de direitos e o respeito.

Ah! Nem pense em dar aquela resposta: "Quem quer respeito, se dá o respeito. Olhe como roupas dela, olhe o que ela canta!" Poupe-me. Esses argumentos, nem considero. Eles só reforçam que temos que nos adequar, encaixar para caber. E quem cabe em caixotes são produtos.

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