Prazer, Luna Maria Romero França
Olá!
Darwin tinha razão. Quem sobrevive não é o mais forte, nem o mais inteligente, mas quem melhor se adapta. Eu sou prova viva. Talvez não me conheçam, pois era raro aparecer por aqui. Chamo-me Luna e vou contar-lhes um pouco da minha história.
Cheguei na família com uma promessa de que ficaria por poucos meses, algo provisório. Mas os dias foram entrando um dentro do outro e aqui estou. Acabo de completar uma década, mas não sei ao certo o dia do meu aniversário. Já me deram até dados fictícios, talvez para que eu sinta melhor, mas a verdade é que só sabem o período: final de 2010.Quando me amigável à família, era uma bebê bem simpática, brincalhona e trazia outra falsa promessa: era da raça duschaund, ou salsicha popular. Mas a minha dona logo me desmascarou, num tom estilo megera Cruela: "Essa aí? De raça? Jamais! Ela é pé duro". Vocês não sabem como essa ofensa me doeu.
Daí para frente foi tentar me desenvolver num ambiente hostil. Não pela menina, pelo rapaz, por Aline, ou por Frida, minha fiel companheira, a quem eu tinha como mãe, mas pela dona da casa, que demonstrava não ir com o meu focinho. Preconceito contra vira-latas, vergonha de me mostrar como membro da família? Não sei. Só sei que tive que aguentar ração para raças grandes por mais da metade do meu tempo de vida, a pior coleira, xampu para machos, e por aí vai.
Mas aí a vida ensina. O amor da vida da minha dona, o uivo boxeador, adoeceu com apenas 2 anos, e nos deixou. Ele era o mais forte. Depois Frida veio a falecer, ela era a mais inteligente, sábia, incrível. E restou eu, alguém que só vai a veterinária tomar vacina, nunca foi ao salão, nunca teve um brinquedo, aprendeu a triturar com os minúsculos dentes a ração para cães grandes.
E sabem o que aconteceu? O milagre. Hoje sou aceita, sou divulgada nas redes sociais, tenho pratos de inox e água filtrada. Minha coleira é linda, acolchoada, vermelha, da Petz. A ração é top, a cama rosa pink com travesseiros combinando e o melhor de tudo, o olhar de desprezo dela é coisa do passado.
Adaptei-me ao meio que me foi dado e ganhei medalha de ouro. O segredo para vencer: raça! Não a do pedigree, mas a combinação de instinto e amor à vida. Eu venci!

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