Sempre a frente está o surpreendente

 Outro dia li uma poesia da Cecília Meireles, convidando-nos à renovação contínua.

Ontem, totalmente condicionada, ligada na tomada da minha rotina, estacionei o carro e segui olhando pro chão, quando a minha intuição me fez mudar a direção do olhar, momento em que enquadrei essa cena urbana, possível e bombasticamente linda.
No momento em que vi o enquadramento, não no momento em que fiz uma foto, pois aí o meu olhar já era outro, mas no primeiríssimo momento em que mudei de ângulo, entendi o que a poeta quis dizer.
Publico abaixo dos seus versos, pois assim como me antecipar, pode ajudar a muita gente.
Esse é o poder da literatura, te provocar, mexer com as suas estruturas mais rígidas, te puxar à vida.

Cântico XIII (Cecília Meireles)

Renova-te
Renasce em ti
Multiplica os teus olhos para verem mais
Multiplica os teus braços para semeares tudo
Destrói os olhos que tinha visto
Cria outros, para as visões novas
Destrói os braços que semeado,
Para ver esquecer de colher
Sê sempre o mesmo
Sempre outro
Mas sempre alto
Sempre longe
E dentro de tudo

Sigamos nos renovando a cada minuto

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