Um cisco
Um cisco. Apenas um cisco no olho esquerdo me deu aula de amor próprio; talvez até melhor do que vários minutos me arrumando no espelho.
Acordei assim, com esse incomodo terrível. Até tomei café, mas estava trabalhando impossível. Ardia, coçava, lacrimejava, irritava, desconcentrava.No espelho, arregacei o olho, mas sem os óculos, como poderia enxergar o danado? Não tenho visto bem (de perto) já tem um tempo (que metáfora hein?).
Chamei minha filha, que, estudando, não veio. Deus! Tadinha de mim. Como ia trabalhar agora? Ajude-me! Ajude-me! Em segundos, criei um drama digno de Oscar. Sentia-me péssima, vítima, injustiçada. O que fiz para merecer passar por isso? Só podia ter sonhado demais! Foi isso, sonhei demais e alguém me disse que isso é proibido.
De repente, algo aconteceu cá dentro. Levantei da impotência igual ao guepardo rumo à presa, tirei os óculos, abri a torneira e enfiei minha cara lá dentro. Mexi e remexi os globinhos oculares em várias crianças (o Globo está mesmo sendo remexido), enquanto a água corria abundante lá por dentro.
Fiquei assim um tempinho, brincando, curtindo as várias sensações que aquele banho nos olhos me provocava.
Quando percebi que após diversos colírios e chantagens, estava livre do cisco, meu Deus como eu me amei !!!! Senti-me uma fera, forte, livre, feliz, orgulhosa de mim.
Quanto tempo a gente perde com "muído" não é meus amigos? É tão simples cuidar de si, é só ir lá e fazer.
Nunca penso que um cisco, um cisco, minha gente, me faria subir mais um degrau do meu próprio bem-querer.

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