Açaí e o meu doce mar de espera



Esperei a base de sol e açaí na tijela. A fome era de leonina, só o açaí me nutria. Mas ainda que o sol ou o açaí me faltasse, tinha o mar. Nele repousava a ausência de pensamentos, esquecia da fome.
Dentro de mim um som imitava o mar ... chuá ... chuá ... surfe suave, um drope ali, outro acolá. Nada mais desejava escutar.
Ondas e ondas se passaram e aos poucos fui virando o próprio mar.
O tempo foi longo, não lembro o quanto, só sei que esperei, esperei, esperei, type Penélope, sem nenhuma vontade de reclamar.
Quando o mergulho é profundo dá preguiça de se irritar, você deixa a correnteza te levar com a mesma fé dos peixinhos do fundo do mar.
Pra quê se apressar?
Tinha o oceano inteiro dentro de mim.

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