O roubo da bandeira
Dentre os escândalos de corrupção divulgados pela mídia no lapso temporal entre mensalões e rachadinhas, não há pior furto que o da própria bandeira nacional. Tomaram o símbolo na mão grande, deturpando tudo que nos associa à liberdade, à democracia, à igualdade e à proteção dos direitos individuais e coletivos.
Hoje, a que associamos a bandeira? A uma pequena parcela privilegiada da sociedade, que anda muito bem, graças a prometida redução de impostos? Ou às queimadas, inflamadas por grandes latifúndios, ou ao assassinato dos povos indígenas? Ou à demora na vacinação anti Covid no país?Onde está uma bandeira? Não há alto, nas mansões de luxo, nos apartamentos de alto padrão? Eles são brasileiros, sim, mas são bem poucos, e, diga-se de passagem, não estão empregando, nem remunerando bem a mão-de-obra ativa do país. O trabalhador continua vivendo à míngua e o consumidor pagando caríssimo pelos produtos, que, em tese eleitoral, seria barato devido à abertura de mercado e à baixa dos impostos. Cadê o sonho americano para os tupiniquins verem? Seria uma miragem no deserto, a paisagem cada vez mais longe, que sedentos continuamos insistindo em ver?
Tomaram a nossa bandeira, repito, e isso é grave, gravíssimo! Percebi o assalto à identidade nacional ao encarar, em pânico, o vendedor ambulante que vinha em minha direção oferecer mini bandeirinhas para a comemoração de 7 de setembro. Ele também ficou assustado com a minha careta e saiu envergonhado. Pensei: porque essa reação ao símbolo máximo de minha Pátria? Por que o que era para me inspirar anda me causando pânico?
A bandeira é do Brasil, que é imenso, e não cabe num torcida irracional, tragada por uma campanha de marketing, que nem Maquiavel ousaria bolar.
A bandeira é nossa! O Brasil não cabe nos interesses do topo da pirâmide, ele está lá em baixo, e, apesar de faminto, ainda é uma base segura a nação.
Resgatemos, antes que tarde, o símbolo do nosso país, que é ordem, e não desequilíbrio, que é progresso e não negacionismo, preconceito, exclusão e inversão de valores.
Não há marketing político no mundo que pode transformar a realidade que o dia-a-dia esfrega na nossa cara.

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