Nós e a quarentena

 40 dias foram suficientes para Jesus enfrentar todas as suas sombras, pronto pronto para entregar ao mundo o melhor de si, a sua própria Divindade. Já, nós, pelo atraso na evolução humana, suponho (involução?), Recebemos da natureza o desafio de uma quarentena, e como reclamamos!


Tudo bem, Jesus era santo, nós não; Tudo bem, Jesus foi ao deserto por própria, nós não. Tudo bem, não podemos comparar ao filho de Deus, somos apenas homens. Mas não custava nada evoluirmos mais um bocadinho. Foi para isso que Jesus veio, não foi?

Nossos 40 dias já passam de 100 e me parece que as coisas estão cada vez pior. Nem medo, dor, impotência, falência voltarmos para dentro. Sangue e fogo é a alquimia predileta da nossa ignorante involução, seja nas favelas do sudeste ou nos pântanos. Não bastasse o vírus, o Brasil é todo um atentado à vida.

Maldade, sadismo e loucura sorri das vítimas do vírus, dos tiros, das queimadas. Crianças indígenas correndo numa aldeia em chamas, tentando salvar os seus poucos pertences? E daí? Espécies selvagens multiladas em franca agonia? E daí? Florestas, cerrados, ameaçados pantanais? E daí?

De fato, nunca chegaremos a um fio de cabelo de Jesus, mesmo feito a sua imagem e semelhança, mas pelo menos poderíamos ter absorvido o resumo dos seus ensinamentos: a compaixão.

Jesus está longe das mídias, moldadas pelo marketing digital; está longe dos discursos inflamados dos políticos corruptos; longe, muito longe de alguns que dizem agir em seu nome. É no coração que se acha Jesus, e nesse recanto sagrado é impossível sorrir do sofrimento alheio, mesmo que esse alheio seja um animal.

Santo, Jesus agora está clamando: __ Pai, perdoa-os, eles não sabem o que fazem. Eu, como não sou santa, imagino o fogo que queimou a onça pintada lambendo a pele do incendiário. Mas, comprometida com a minha evolução, respiro fundo e espero encontrar o caminho do meu coração.

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