Presépio urbano

 


Diferente daquelas imagens clássicas de presépio, com luzes e estrelas, onde o Deus Menino já nasce Santo, prefiro Jesus assim, como o bebê de uma família normal, feito a minha ea sua, próximo, possível, crescendo e transcendendo em sua espiritualidade no decorrer das salvaguardas da vida.
Vi um quadro dessas na rua hoje, uma obra de arte real. A família sagrada estava ali, deitada num canteiro da Pedro Paes Azevedo, esquina com Francisco Porto. Pai, mãe, em gestação bem avançada, e duas irmãzinhas quase do mesmo tamanho. Pela primeira vez não julguei a família que escolheu ser numerosa, sem condições financeiras. A cena era tão encantadora, que esqueci das teorias racionais. O sinal fechou para que pudesse observar o melhor. O marido pedia comida a quem passava, mas só comida; a mulher aninhava as meninas em seu corpo, salpicando-lhes beijos e abraços cheios de afeição. As três sorriam ao sentirem o irmãozinho mexer na barriga da mãe. A cumplicidade era explícita e ali havia o essencial, benção. Fome tinha também, talvez desemprego, falta de oportunidade, ou comodismo. São possibilidades. Não tive o tempo de me ater aos aspectos negativos, nem quis, pois o ar estava impregnado de amor. Jesus, Maria e José também não viviam os melhores dias quando do nascimento do filho. Ali, naquele canteiro, sem ceia, sem brindes, sem luzes, estrelas ou roupas lindas, com certeza, já era Natal, antes mesmo do nascimento do menino.

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