EM DEFESA DAS MÃES INJUSTAS

Sou daquelas que acha que criar cachorros também nos torna mães. Era mãe feliz de 2 cadelas extremamente diferentes. Dava atenção e carinho de forma equilibrada para ambas. Mas eis que um boxer invade a minha vida. E ele chegou chegando, com gosto de gás, como se diz aqui no Nordeste. 

Alegre, danado, malvado, egoísta, bruto, ciumento. Tinha mais defeitos do que qualidades. Era muita energia circulando em um só animal, um verdadeiro vulcão. Ou seja, eu tinha todas as razões do mundo para não gostar dele. Mas costumo aprender muito com os animais, observando-os e vendo como reagem a determinadas situações. 

Observar Howl foi uma tarefa tão enriquecedora que realmente esqueci das outras cadelas, a minha atenção estava voltada somente para ele, porque ele era o meu mestre, eram as suas lições que precisava aprender. Voltar-se para mim, cuidar de mim, do meu espaço, ser um pouco egoÍsta era tudo que EU precisava, e Howl parecia saber disso.

Também fazia questão da minha atenção, não abria mão de mim um só minuto e tomava todo o meu tempo. Passei a ama-lo mais do que as outras e fui injusta, aquele tipo de mãe que eu critico. Peguei-me fazendo distinção abertamente, comprando shampoos melhores para ele, vitaminas, e até a comida. Lastimável o meu comportamento. Mesmo tendo um filho mais carinhoso, ou atencioso, a mãe deve se reservar ou procurar não demonstrar tanto. Comigo isso era impossível. Tava na cara, todos diziam.

Eis que de repente ele morreu, e passei a enxergar as outras cachorras e voltar a dar amor a elas. Foi somente aí que percebi o quanto estava afastada e o quanto fui injusta. Em seguida me perdoei, pois vivi aquilo que precisava viver. Eu e Howl tínhamos pouco tempo, e o Universo sabia disso. Está tudo certo.













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