COMPORTAMENTO
VÁ SER FELIZ! (pra valer)
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| Vera Boquimpani, massoterapeuta e muito feliz da vida. |
Você é feliz? Em tempos de rede social, todos parecem estar
num comercial de margarinas. Mas felicidade não é uma peça publicitária. É sim
um momento prazeroso, postado na net, afinal “ser feliz” está mais para momentos
de prazer do que para um estado constante. Mas, muitas vezes, quando as câmeras
do celular são, finalmente, desligadas vem o vazio. Ao invés de se pensar sobre
ele e, quem sabe, minimizá-lo, joga-se a poeira para debaixo do tapete, afinal,
amanhã é outro dia.
Assim se vai vivendo, dias bons, dias maus, e aquela tal
felicidade, se não se sente, se inventa, já que ninguém mais se permite ficar
triste, ou pensativo, esquecendo-se de que a tristeza momentânea pode ser o
passo para um grande insigth, uma tomada de decisão, uma benéfica mudança de
rumo. A vida é curta e imprevisível, por isso, vale a pela vivê-la
profundamente; não merecemos desfrutá-la sob os mantos das aparências.
Melhor admitir altos e baixos cotidianos do que tentar parecer
feliz o tempo todo para sair bem na foto, ou melhor, ficar bem com a sociedade,
visto que há uma cobrança social, naturalmente velada, para que todos sejam
felizes da forma padronizada: bem-sucedidos, populares, amados e saudáveis. Os que
vivem sozinhos devem achar alguém para dividir o teto, construir uma relação;
os namorados devem casar-se; os que optam por não ter filhos devem fazê-lo o
quanto antes; os que têm um filho devem providenciar outro, porque filho único
não é suficiente e por aí vai.
Muitas vezes a sociedade condena, e até excluí, quem não consegue,
ou não quer ser feliz dentro dos moldes determinados por convenções sociais,
sem perceber que o sentido da verdadeira felicidade varia de pessoa para
pessoa. Se fossem dar ouvidos à sociedade, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir
não teriam construído uma história de amor, vivendo décadas em casas separadas.
Histórias de vida comprovam que é possível ser plenamente feliz sozinho ou
acompanhado, pobre ou rico, tudo vai depender do conhecimento que uma pessoa
tem sobre si mesma e dos valores que norteiam os seus projetos de vida.
PROJETO FELICIDADE
O casamento na igreja, a roupa de grife, o dinheiro na conta
ou o emprego sonhado pode não lhe fazer a pessoa mais feliz do mundo. Com Gretchen
Rubin se deu assim. A advogada e escritora bem sucedida, casada com o homem dos
seus sonhos, igualmente bem sucedido e mãe de duas lindas meninas não estava satisfeita,
faltava uma peça no seu quebra-cabeça: a sensação de felicidade plena. Foi
quando resolveu escrever Projeto Felicidade, livro que ocupou o primeiro lugar da
lista do New York Times, no ano passado, onde narra trajetória percorrida durante
12 meses, a fim de agregar mais prazer a sua vida.
Gretchen arregaçou as mangas, começando com uma bela faxina
na casa e escritório. Depois adotou a prática de atividades físicas diárias, balanceou
o cardápio, cercou-se de boa literatura, filosofia, música clássica, deu mais
atenção a Jamie, seu esposo, poupando-o de críticas costumeiras, tirou um mês
para voltar a ser criança com as filhas, criou um grupo sobre literatura
infantil com amigos, estudou desenho, dançou sozinha em sua sala. Ao final,
concluí-se que Gretchen, que já era feliz, ficou melhor, porque tomou
consciência do que lhe faz bem.
Após a jornada, Gretchen cria verdades monumentais, cujas
mais importantes são: “seja você”, “para ser feliz, faça outras pessoas felizes”,
“para fazer pessoas felizes, seja verdadeiramente feliz você mesma”, “não
subestime o dever de ser feliz”, “os dias são longos, mas os anos são curtos”,
ou seja, busque a felicidade o quanto antes, não deixe o tempo passar, sendo uma
mera expectadora da vida e, finalmente, “você é feliz, se achar que é feliz”. O
que te faz feliz? Caminhar na praia, tomar um banho de chuva, passear a cavalo,
ver o seu filme favorito? Não hesite! Segundo Rubin, saber o que lhe faz bem é
o pontapé para o seu projeto de felicidade pessoal.
Portanto, vá ser feliz! Inicie o seu próprio projeto de
felicidade levando em conta “você”, fazendo uma faxina nas coisas que não são
importantes, uma revisão dos seus valores e uma lista das atividades que lhe dão
prazer. Já que não se pode engarrafar felicidade, pode-se ao menos tentar
esticá-la o máximo possível, através de atividades diárias prazerosas e
atitudes que envolvam nobres valores como a generosidade. Ou quem nunca
experimentou a boa sensação de ajudar alguém? E quando a felicidade faltar,
Gretchen Rubin ensina um truque: relembre momentos felizes. Você vai estar tão
ocupado esses próximos dias que nem vai ter tempo de enquadrar a sua felicidade
nas redes sociais.



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