COMPORTAMENTO
AS GAROTAS "DA HORA"
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| Foto de Maurem França |
Os alunos monstros chegaram chegando, como uma febre, um vírus avassalador, que o digam os vendedores de brinquedos, material escolar, livros, revistas e o próprio You Tube, com os seus milhares de acessos aos vídeos relacionados à MH. Além das menininhas de 10, mulheres de 20, 30, noivas, casadas, colecionam as bonequinhas. Mas de onde vem o fascínio? As bonecas têm cabeças grandes, desproporcionais ao resto do corpo, panturrilhas gigantes, sem harmonia com as pernas secas, corpo magro, barrigão pontudo e colunas visivelmente defeituosas: lordoses e cifoses não faltam ali. Resumindo: em termos de beleza, uma desgraça.
Tudo bem que a indústria de brinquedos não criou nada novo. Monster High
pegou carona com a saga Crepúsculo, misturou o High School Musical e a Escola
de Sustos do Gasparzinho à receita, fez uma releitura dos contos antigos, com seus
Dráculas, Corcundas e todo um elenco de esquisitos e fabricou esse sucesso
estrondoso. A receita é velha, mas o resultado é novo. De vez em quando o mundo
reage à padronização do ser humano, através de movimentos como os punks, darks
ou emotions, mas nunca essa galerinha esquisita fez tanto sucesso. Até os
óculos dos nerds invadiram os tutoriais de moda. Ou seja, o
"esquisitão" ontem rejeitado, hoje pode “causar”.
Eu, que tinha como encomenda de Natal a Draculaura, uma menina cor de rosa, com o penteado da Amy Winehouse, penei de tanto perambular pelo comércio, mas consegui uma caixa, das 5 existentes numa prateleira sortida de Barbies a preços promocionais. Paguei mais caro. Com o presente na mão,
confesso ter sentido certo alívio ao imaginar garotas mais livres
da ditadura da beleza no futuro, afinal sou mulher e mãe. Já que as monstrinhas estão bombando, isso me leva a crer que estamos mais tolerantes com os defeitos alheios (se é que são defeitos) e dispostos a aceitar as diferenças.
PS: Até hoje, 03/02/2013, as lojas de Aracaju não receberam novos
exemplares das bonecas Monster High. Esgotados todos os estoques desde o Natal.


Acho que tudo isso tão louco, porém tenho a certeza que bom mesmo nunca deixar as crianças se identificarem nem com o feio e nem com o belo e sim se aceitarem como são.
ResponderExcluirConcordo com você Lisete. No tempo do espartilho, ficar bonita era muito sofrido, mas ninguém ousava deixar de usar aquilo. Hoje, ficar bonita pode ser mais simples, mais confortável, e principalmente pode ser mais autêntico. Que todas nós, crianças e mulheres, encontrem as nossas formas.
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