COMPORTAMENTO
É O FIM!
Um mundo habitado por pessoas capazes de abrir fogo contra crianças, maltratar velhinhos, queimar indefesos sempre andou mal das pernas. Talvez desde que o mundo é mundo somos bárbaros, mas as lutas pela sobrevivência foram substituídas pelos motivos torpes. Quando não, são os males que afetam o território humano mais surpreendente: a mente. E assim como a ciência ainda é impotente ante algumas patologias psiquiátricas, somos incapazes de julgar os motivos que levam alguém a sair matando por aí, e o pior, somos um nada, um grão, um pó diante do poder de uma pessoa dessas. O que é um maremoto, um tsunami, um ciclone perto de um genocida? Se os primeiros levam centenas de vidas acidentalmente, o último rouba vidas intencionalmente, dolosamente, da forma mais desumana e cruel, mesmo que por vezes seja ele próprio também uma grande vítima.
Um fenômeno natural pode ser anunciado meses antes, pode-se criar habitações mais seguras para enfrentar possíveis ciclones, pode-se minimizar o impacto de acidentes climáticos, caso se queira, mas quem vai prever as ações de uma mente assassina? Como parar o fã que tirou a vida de Lennon, como evitar que aquele estudante de medicina atirasse para todos os lados, num cinema fechado em São Paulo? E como prevenir o surgimento de novos assassinos? Ainda ontem, uma mamãe jovem foi flagrada dando vinho para que o seu bebê dormisse mais rápido e não atrapalhasse a balada dela. Quem vai ser esse bebê? Tudo é tão imprevisível no campo humano, pode ser um homem de bem ou alguém muito mau. Às vezes até o amor, para algumas crianças, parece ser prejudicial. Lembram-se da Suzane? Que mal lhes fez seus pais?
Portanto, o fim de que nos falam, aquele dos dilúvios, dos vulcões em erupção, das catástrofes naturais não é tão feio quanto aquele que arrastou uma criança presa a um carro, no subúrbio carioca. Aquilo é o fim, os fatos de que temos notícia no dia-dia e que nada, absolutamente nada, podemos fazer para serem evitados. Também não podemos evitar um abalo sísmico, mas isso é natural. Já as chacinas, os ataques terroristas, a violência urbana, o trânsito assassino, as guerras, todas mortes provocadas pelos próprios irmãos, gente como a gente, não são naturais. É menos triste ser atingido por um raio do que ser atacado covardemente por alguém que poderia ser o seu amigo, ou, no mínimo, estender-lhe a mão. Por isso, me preocupo mais com o fim do homem do que com o mundo e os seus fenômenos climáticos, pois a raça humana está bastante ameaçada. Oremos!

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