COMPORTAMENTO

É O FIM!

Chegamos ao fim de mais um ano, 2012 já era, antes mesmo do fim do mundo e, infelizmente, não tenho palavras bonitas ou mensagens de esperança, nada para dizer aos amigos ante à previsão Maia do 21/12/12, pois assisti ao massacre das criancinhas norte-americanas em Connecticut, EUA, e aquilo para mim é o verdadeiro fim, como o foi quando da chacina da Candelária, no Rio, em 1993, ou no ataque terrorista em Beslan, na Rússia, em 2004 e na matança numa escola em Realengo, no Rio, em 2011. O sangue inocente derramado representa repetidos fins de mundo em prestações líquidas e certas, e cada vez mais freqüentes, devido à evidente capacidade do mundo moderno de produzir malucos mais e mais requintados.

Um mundo habitado por pessoas capazes de abrir fogo contra crianças, maltratar velhinhos, queimar indefesos sempre andou mal das pernas. Talvez desde que o mundo é mundo somos bárbaros, mas as lutas pela sobrevivência foram substituídas pelos motivos torpes. Quando não, são os males que afetam o território humano mais surpreendente: a mente. E assim como a ciência ainda é impotente ante algumas patologias psiquiátricas, somos incapazes de julgar os motivos que levam alguém a sair matando por aí, e o pior, somos um nada, um grão, um pó diante do poder de uma pessoa dessas. O que é um maremoto, um tsunami, um ciclone perto de um genocida? Se os primeiros levam centenas de vidas acidentalmente, o último rouba vidas intencionalmente, dolosamente, da forma mais desumana e cruel, mesmo que por vezes seja ele próprio também uma grande vítima.

Um fenômeno natural pode ser anunciado meses antes, pode-se criar habitações mais seguras para enfrentar possíveis ciclones, pode-se minimizar o impacto de acidentes climáticos, caso se queira, mas quem vai prever as ações de uma mente assassina? Como parar o fã que tirou a vida de Lennon, como evitar que aquele estudante de medicina atirasse para todos os lados, num cinema fechado em São Paulo? E como prevenir o surgimento de novos assassinos? Ainda ontem, uma mamãe jovem foi flagrada dando vinho para que o seu bebê dormisse mais rápido e não atrapalhasse a balada dela. Quem vai ser esse bebê? Tudo é tão imprevisível no campo humano, pode ser um homem de bem ou alguém muito mau. Às vezes até o amor, para algumas crianças, parece ser prejudicial. Lembram-se da Suzane? Que mal lhes fez seus pais?

Portanto, o fim de que nos falam, aquele dos dilúvios, dos vulcões em erupção, das catástrofes naturais não é tão feio quanto aquele que arrastou uma criança presa a um carro, no subúrbio carioca. Aquilo é o fim, os fatos de que temos notícia no dia-dia e que nada, absolutamente nada, podemos fazer para serem evitados. Também não podemos evitar um abalo sísmico, mas isso é natural. Já as chacinas, os ataques terroristas, a violência urbana, o trânsito assassino, as guerras, todas mortes provocadas pelos próprios irmãos, gente como a gente, não são naturais. É menos triste ser atingido por um raio do que ser atacado covardemente por alguém que poderia ser o seu amigo, ou, no mínimo, estender-lhe a mão. Por isso, me preocupo mais com o fim do homem do que com o mundo e os seus fenômenos climáticos, pois a raça humana está bastante ameaçada. Oremos! 

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