PLANTÃO CIDADÃO

Mudança de hábitos

A notícia me soou bombástica: as lojas Bompreço, da rede Walmart Brasil, em Aracaju, recolheram as Estações de Reciclagem, disponibilizadas à comunidade. Agora a empresa pensa numa nova saída sustentável para a reciclagem de lixo, após finalizar o contrato com a Cooperativa dos Agentes Autônomos de Reciclagem de Aracaju - CARE, que ultimamente fazia a coleta.


Durante cerca de 6 anos, tempo de execução do projeto de reciclagem na loja da Avenida Pedro Valadares, no Grageru, tudo que o Bompreço conseguiu foi um lixão ao léu. Em que pese haver responsabilidade da empresa em manter a limpeza do local, já que se propôs a disponibilizar o serviço, cabe à sociedade assumir a sua parcela de culpa. Até que ponto estamos dispostos a mudar? Presenciei, várias vezes, pessoas jogando o seu lixo de qualquer jeito, até fora dos compartimentos de reciclagem. Inclusive os catadores, que tiram das embalagens reaproveitáveis o sustento, não contribuíram para a manutenção da Estação, projeto admirável e, diga-se de passagem, único na cidade. Muitos furavam os sacos para selecionarem o lixo, deixando a parte rejeitada espalhada no chão. E não foi só em Aracaju que o Walmart enfrentou o problema. Andaram emporcalhando a frente da loja de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco.

Quantas vezes ouvimos falar sobre os benefícios ecológico, econômico e social do reaproveitamento do lixo, garantindo, inclusive, a subsistência de muitas famílias brasileiras? Acho que ninguém pode declarar desconhecer essas informações, ultimamente tão massificadas. O problema é que há um grande intervalo entre o conhecer e o praticar, mesmo hiato que nos torna vítimas de Dengue a cada verão. E não se pode culpar o Governo, as escolas, a igreja ou qualquer instituição, pois todos alertam: "Não acumulem água". Simples, não? Deveria ser, mas está longe disso. Assim se dá com o lixo. Sabemos o que deve ser feito, mas não o fazemos. Nem nós -  os cidadãos - nem a municipalidade, que não concluí o polêmico Aterro Sanitário da Palestina, localizado em Nossa Senhora do Socorro, para com isso desativar, definitivamente, o lixão da Terra Dura. 

Antes que se diga "falar é fácil", eu assumo mea culpa. Sim, eu não reciclo. Os meus belos vasilhames de reciclagem, comprados há um ano, servem para diversas utilidades domésticas: guardar roupa suja, roupa limpa e até, pasmem, acumular água. Invento várias razões para me justificar: a CARE não era constante, e quando aparecia, encontrava o lixo remexido pelos catadores avulsos, alguns dos quais sujavam toda a calçada. Houve até um muito sincero: "Só levo as lata e as pet. Vidro eu não quero não". 

Poderia encontrar várias razões para ter parado a reciclagem na minha casa, mas na verdade, o que prevaleceu mesmo foram os velhos hábitos: resistência em mudar, acomodação, preguiça de lavar as garrafas e embrulha-las em papel jornal, dobrar as embalagens Tetra Pak, retirar o resto de líquido das latinhas e acabar morrendo na praia, ou melhor, na calçada, pois na minha cidade, como em diversas espalhadas pelo Brasil, não há coleta seletiva planejada e suficiente.

Mas nada é motivo para desistir, regredir, voltar atrás. E se ainda há tempo de salvar o planeta e transformar o lixo em renda para a população que não possui emprego formal, porque não nos mexermos? E então, vamos repensar sobre os nossos hábitos, enquanto o Aterro Sanitário não vem? 

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