QUEM É BOM JÁ NASCE FEITO - 7ª EDIÇÃO


PAIXÃO AO PRIMEIRO PASSO




Grand finale do espetáculo Folhetim.
Sobem as cortinas do Teatro Tobias Barreto. Chegou a hora do grand finale. Phernão Ollavo e Joilma Valeriano invadem o palco e arrebatam a platéia, enquanto que os alunos da
Partners Centro de Dança se espremem
entre as coxias para ver um gesto ao menos, um sorriso, uma pirueta do casal. Bravo! Essa cena se repete todos os anos, em Aracaju, quando a escola promove o seu espetáculo beneficente, com a casa lotada. É preciso dizer qual é o momento mais emocionante no palco? Para Joilma são todos os pas de deux que executa com o marido. “Naquele momento o mundo pára”. E Phernão completa: “todas às vezes em que danço com Jó, me emociono”.

Grand finale do ballet Metrópole

Mas vamos voltar ao início do espetáculo, ou melhor, da história? Era uma vez dois jovens bailarinos que moravam no centro de Aracaju, mas nunca se encontraram. Ela, dona de olhinhos de águia, diz que sempre foi “séria e responsável”. Ele, garoto levado, criado em condomínio, era o famoso “menino do 703”. Certo dia, o recreio do Colégio Estadual João Alves Filho resolveu os apresentar. Digamos que o pátio da escola foi o primeiro palco desse grande encontro. “A professora de português me falou que existia um bailarino no colégio e que eu precisava conhecê-lo. No intervalo seguinte já o conheci”, relembra ela.

A bela bailarina em ação.
A partir daí, Phernão e Joilma formaram um par, dançaram vários pas de deux e criaram a Partners Centro de Dança, hoje com 10 anos de estrada, 9 espetáculos na bagagem e a participação, inédita em Sergipe, na mostra competitiva do 28º Festival Internacional de Dança de Joinville, em 2010. Conto de fadas no cenário da dança sergipana? Não. Vida real, dançada com paixão, “desde o primeiro passo”, como define Phernão, que descobriu a dança aos 16 anos. Joilma é bailarina “desde que se entende por gente”, como diz. Começou aos 3 aninhos, quase um bebê. “De lá para cá, são mais de 30 anos dançando e não me vejo sem a dança”, resume ela.


Metrópole, um boêmio e a sua musa.

A paixão pela dança e a sintonia do casal contagia os alunos da Partners, distribuídos entre as modalidades baby-class, baby-jazz, ballet clássico infantil e adulto, jazz adulto e dança do ventre. É lá, nas salas de aula da escola, que tio Phê e tia Jojó, como são carinhosamente chamados, dão o melhor de si, diariamente, das 14h30 às 21h30. “A Partners é o lugar onde me realizo profissionalmente”, diz Joilma. Phernão afirma que “a escola é a realização de um grande sonho”. Mas a construção desse sonho começou a partir de um momento muito difícil.

A DEMISSÃO FOI A SOLUÇÃO

De férias, aproveitaram para dançar no Alvin Ailey, em NY.
Depois de muitos anos trabalhando em algumas academias, nos casamos. Após um ano de casados, fomos despedidos do dia para a noite. Então dissemos um para o outro: chegou o momento da Partners”, relembram. Os membros da família, “grandes pilares da empresa”, como definem, apoiaram integralmente a decisão e, até hoje, compartilham desse sonho, trabalhando duro na academia, diariamente. Segundo Joilma, “A Partners começa pela união da família”.


Funcionando hoje em sede própria, a empresa fala por si. A parede central da recepção é o raio x da vida profissional de Joilma e Phernão. Diplomas, certificados e cartazes contam os passos do casal. Phernão concluiu o curso de Educação Física na UFS. Joilma resolveu trancar a mesma faculdade, para se dedicar inteiramente à dança. Ambos são bailarinos formados pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos e Diversões (SATED), e possuem o registro profissional do Ministério do Trabalho. Além disso, já rodaram o Brasil dançando e agora rumam ao exterior. “Temos formação em diferentes modalidades de dança e viajamos em turnê nacional, através do Palco Giratório e do Balaio Brasil. Tudo isso foi maravilhoso para a nossa profissão, mas estamos sempre nos reciclando”, contam.

Realmente o casal não pára. Fins de semana ou férias são oportunidades de dedicação à dança. Cursam as oficinas do Festival de Dança, em Joinville, os workshops do Grupo Raça, em São Paulo, e assistem, com olhos clínicos, a espetáculos nacionais e internacionais, como os da Ópera de Paris e do English National Ballet. As últimas férias de julho foram voltadas para dança nova iorquina. “O nosso último curso foi na Alvin Ailey American Dance Theater, em Nova York, o que foi extremamente gratificante, pois realizamos um sonho antigo de poder entrar em contato com bailarinos e professores internacionais”. Contudo, eles garantem que, em matéria de dança, o Brasil não perde para o primeiro mundo: “a dança em nosso país, ao contrário do que muitos pensam, não deixa a desejar a ninguém”.


Joilma, testando a sala de aula do Alvin Ailey.
Hoje, o treinamento intensivo dos bailarinos visa à próxima atração, a ser realizada nos dias 02 e 03 de dezembro, no Teatro Tobias Barreto, quando farão um flashback de toda a trajetória da Partners, através do espetáculo Retrô. “Realizar um brilhante show comemorativo nesse décimo ano, e poder continuar trabalhando com a dança” são os planos do casal. Desde o primeiro ano da escola, toda a renda dos espetáculos é doada a entidades beneficentes, e a corrida pelos patrocínios é intensa. Para Joilma e Phernão, unir à dança a um trabalho social é indispensável. “Na verdade, é o grande complemento profissional e pessoal de nossa vida”, completam.


A GRANDE CONQUISTA

Phernão, atento à técnica francesa.
Representar Sergipe no 28º Festival de Dança de Joinville, considerado pelo Guinness Book o maior festival do mundo, foi a experiência mais gratificante para os bailarinos, enquanto coreógrafos e empresários da arte. “Até aquele momento, nenhuma academia do Estado tinha conseguido apresentar os seus trabalhos na competição e a nossa escola classificou-se na categoria Jazz Adiantado, com as coreografias “A Hora do Rush” e “Retirantes”, vindo a fazer parte de um seleto grupo de 255 classificados, entre as mais de 1800 coreografias enviadas do Brasil e da América Latina”, dizem. Realmente, um verdadeiro marco para a dança sergipana.

Partners no palco, parceiros na vida.





Em Joinville, diversas vezes fomos comparados a grupos do Sul e do Sudeste, o que nos trouxe a constatação de estarmos trabalhando pelo caminho certo”, revela o casal. Aliando a boa técnica à malemolência e à rica cultura nordestina, Phernão e Joilma prometem chegar longe. A receita do sucesso? “Ame a dança, pois só assim se consegue. Mas independente da carreira, dê o seu melhor, que os bons resultados aparecem”, ensina Joilma. Quem quiser calçar as sapatilhas e se aventurar nesse mundo mágico, Phernão adverte: “A estrada é dura, mas vale a pena. Como em todas as artes no país, se não batalhar bastante não vai conseguir sobreviver da dança”. E então, vamos voltar ao grand finale? Bis, bravo, bis, bravo, bis!!!




Comentários

  1. Adorei a reportagem sobre esses dois bailarinos tao lindos da minha terra. Quanta gente maravilhosa temos no nosso estado. Sorte para eles dois!
    PS: agora fiquei viciada no teu blog Patricia, gostei mesmo, um beijo grande.

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  2. Parabéns Pat: vc descreve com muita emoção o que nós alunas sentimos nas aulas com este casal - a paixão em dançar!!!"

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  3. Adorei a matéria Paty.
    Muuuito legal. Parabéns!!
    Já postei no meu facebook tbm.
    Jaum
    Julian França

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  4. Pati parabéns, a matéria ficou ótima. Sou muito fã desses dois, eles merecem todo esse sucesso porque são competentes e lutam muito. Eu costumo disse a eles que quando eu crescer quero ser bailarina e dançar igualzinhakkkkkkkkk

    Beijos!

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  5. Pat, parabéns pelo blog, que é maravilhoso e especialmente por esta matéria que fala diretamente aos nossos corações. Cada aula na Partners é uma sessão de terapia maravilhosa!
    Vamos juntos embarcar em Retrô e que a felicidade continue presente em nossas apresentações!

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  6. Mana, adorei a historia de encontro na dança desse casal,que tive o prazer de ver,quando fui assistir o espetáculo de fim de ano,fiquei encantada!!,não esqueço até hoje ,aquele que falava dos programas de tv,encantei-me Com eles, com o grupo, com o espetáculo geral!!! Parabéns Para eles, parabéns pra vc!!!!

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  7. Ameia a matéria, mordomia vc tá bombando, te amo, saudades, bjs"

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  8. Tô aqui...bestona...chorando!! Lindo Pat!"

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  9. Phernão e Joilma são pessoas maravilhosas e batalhadoras, merecem verdadeiramente serem homenageados.
    No meu caso, conheço Phernão desde criança por que somos primos. Lembro inclusive que fui visita-lo quando ele nasceu, não é fantástico ?
    Joilma só conheci depois. Phernão dança desde muito cedo, e acho que para ele por ser homem deve ter sofrido muito pelo preconceito da sociedade, contudo ele nunca desistiu do seu sonho, o que me deixa muito feliz e orgulhosa por ele ser meu primo.
    Acredito que por ele não ter desistido do sonho dele a vida premiou ele dando-lhe uma mulher parceira, amiga, bailarina, sensível, determinada e competente que é Joilma. Juntos eles não só construíram uma academia de dança, mas sim uma grande família que dança junto por um mesmo ideal: o amor a dança, arte, a vida e ao próximo.

    Bjs,

    MSc. Clara Raissa de França Rocha e Lopes
    Farmacêutica Bioquímica

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  10. Parabéns minha nora/amiga, simplesmente emocionante!!

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  11. Adorei, vc conseguiu através das palavras levar emoção e paixão. Quanto ao casal o sucesso na dança e como empresários são consequencias de uma história regada com ética, responsabilidade e moral. Sou fã deles e passei a ser fã sua. Parabéns, não só por esse trabalho, como tantos outros que pude ler. bjos."

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  12. nota mil, me emocionou esta matéria viu? Reforçou muito mais o amor e a admiração que tenho por eles durante esses 13 anos de convivência me relembrando parte dessa história que conheço muito bem.Beijo grande

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  13. Paty, vc é, realmente, uma grande jornalista! Conseguiu descrever uma história com tantos detalhes de forma coerente, coesa e acima de tudo prendendo o leitor até o final! A história dos dois é linda e vc deu muito mais emoção ao enredo. Parabéns! beijos

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  14. Quer dizer que, além de grande bailarina vc também é uma grande escritora? Parabéns pela matéria e pela iniciativa de escrever sobre esse casal que a gente tanto ama.
    Bjos,

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  15. Paty,
    parabéns pela iniciativa e competência profissional.Quanto a história de tio Phê e tia Jojó, ao ler, você nos leva a um mundo de emoção , carinho e amizade . Uma leitura leve e inteligente que nos deixa a sensação de felicidade e orgulho. Orgulho por conhecê-los e felicidade por poder compartilhar momentos únicos de grandes conquistas especiais.Além de excelentes bailarinos, eles são acima de tudo pessoas maravilhosas.Que Deus continue os abençoando por mais 10, 20, 50,100 anos...Bjs,

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  16. Além de excelentes profissionais, seres humanos incomparáveis,Parabéns pela matéria.
    Abraço

    Socorro Villar

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