CENÁRIO
PÚCHKIN, TATYANA, EVGUÊNI, DEBORAH E TODOS NÓS.
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Foto de Isabela Kassow
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Entrada. Expectativa para assistir à Tatyana, balé da Cia. de Dança Deborah Colker, que passou feito um foguete, no Teatro Tobias Barreto, em Aracaju, em 10 de agosto último. A qualidade técnica impressiona, logo de cara. Mas sinto falta dela, a Deborah bailarina no palco. E por quê? Pelo mesmo motivo que tinha vontade de apertar a mão de Drummond, ou saber notícias de Roman Polanski. Queremos chegar mais perto do criador, para poder, quem sabe, fazer parte da sua criação. Para os amantes da dança então, Deborah tem um significado especial. Além da qualidade técnica e criatividade, marcas registradas também de Marika Gidali, Rodrigo Pederneiras e Ivaldo Bertazzo, entre outros, é Deborah quem faz fila, lota os teatros e é ovacionada, ou seja, Deborah popularizou a dança, pelo menos aqui no nordeste.
E popularizou como? Com ingressos a R$ 90,00? Sim. Quando digo “popularizou” não me refiro a quem pode pagar pelo espetáculo. Digo no sentido de se ter aumentado consideravelmente, nos últimos anos, o número de pessoas que foi ao teatro assistir a balés e tomou gosto pela dança, mesmo o rico, culto, elitizado, principalmente depois das montagens de Velox e 4 X 4, de Colker, verdadeiros divisores de água da dança contemporânea no Brasil. Depois então da sua coreografia Ovo, para o Cirque du Soleil, nem se fala. O mundo lhe escancarou as portas.
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| Foto da Cia. Déborah Colker. |
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| Foto divulgada no G1 - Globo |
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| Foto de Mariele Velloso, UFSJ/Ascom |
Fim do espetáculo, fica nítida a impressão de que Deborah opera milagres: populariza sim a dança, posto que, através da dança, traduz para nós, muitos leigos da literatura russa, a essência do poema-romance Evguêni Oniéguin, uma obra clássica. Com Tatyana, Deborah deu ao escritor mais uma chance de viver; eu diria melhor, de dançar. Pensei até que o seu final seria outro, diferente da sua história: o de vencer o duelo. Mas como? Ele deveria morrer para justificar a sua criação, toda a carga dramática, romântica e poética da sua obra, fiel ao seu tempo. Déborah acerta, mais uma vez.
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| Foto de Isabela Kassow. |
Saída do teatro, alma lavada, apenas uma certa frustração, de não ter visto Deborah. Embora não tenha pisado o palco, esperava que ela acenasse para a platéia lotada, nos agradecimentos. Nem isso. Mas o que importa mesmo, no final das contas, é que dançamos todos ali, de uma forma ou de outra: Púchkin, Tatyana, Déborah, eu e você.
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| Foto de Mariele Velloso, UFSJ/Ascom |
A única queixa que fica, e não pode deixar de existir, é a do valor alto dos ingressos, que impede o acesso à arte, de parte da sociedade sergipana. O ideal seria que o espetáculo fosse mostrado de graça, em praça pública, para que a dança de Colker se tornasse literalmente popular, o que traria imensa contribuição à cultura. Afinal, para se perceber, emocionar e apreciar um espetáculo como Tatyana não precisa estudo, nível cultural elevado, nem muito menos dinheiro no bolso. Apenas sensibilidade. E isso, felizmente, independente de classe social.







Só posso dizer que ,queria estar lá no Teatro Tobias Barreto assistindo esse grande espetáculo!!! parabéns mais uma vez,pela sensibilidade artística, de alma,que consegue traduzir o que viu,me dando a impressão que eu estava lá!!!
ResponderExcluirPatricia, parabenizo-a por seu esforço em dedicar-se a escrever e compartilhar suas impressões pessoais com o mundo. Vejo um grande esforço em comunicar e enaltecer à Arte. Falta um pouco de leitura a respeito de teoria sobre a Arte para sair da fala simplismente impressionista. Mas, tenho certeza que essas leituras vão rolar em seu caminho.
ResponderExcluirSó uma correção em relação ao seu texto: Deborah Colker dançou o espetáculo inteirinho em Aracaju, ela era o "maestro" loiro. Impressionante a transformação da mulher, hein?! Não se preocupe, não foi só você que não percebeu! Acontece! Seria bom reescrever o texto, não acha?!
Eu achei esse a melhor montagem da companhia da moça, e você? Gostei da parte das penas!! Concordo plenamente com você em relação aos valores dos ingressos, um absurdo custar tão alto. Onde isso vai chegar? Se você olhar, em outros lugares haviam ingressos desde R$ 12,00! Não sei qual a justificativa para tudo que chega a Aracaju custar tão caro. Ainda mais quando há patrocínio do Governo ou de empresas públicas. Fica a indignação.
No mais, continue a escrever sempre e sempre!
Beijos,
Thiago.
Querido Thiago, talvez o seu comentário tenha sido o que mais gostei, posto que extremamente sincero. Amo a arte imensamente. Algo que me atinge sem pena!!! Acho que vou deixar o texto como está, por dois motivos: pela sinceridade da minha impressão, que n pode ser modificada, e pelo engano em si, o que denota amadorismo, e me leva a querer mais de mim mesma, mas nunca a falta de sensibilidade. Isso me sobra. Enxerguei o que muitos estudiosos da arte acadêmica talvez não tenham percebido. Vamos trocar figurinha. Amei você interagir comigo! Meu Deus, o primeiro. Foi para isso que fiz o blog. E outra, tô me empolgando tanto, que ano que vem farei especialização em jornalismo cultural. Quem sabe assim erro menos! Não gostei das penas. Não gostei. Bem, nós dois amamos a Colker. Já é o inicio para uma bela amizade. Continuo escrevendo, mas continue discutindo.
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