POESIA
| Sítio da Catita, hoje. Lagarto/SE |
MAPA DA MINA
O pai tinha um punhal afiado
de prata
todo bordado
O tempo derreteu
Abotoaduras caras
plaquinhas
e medalhas
nas mudanças se perderam
A mãe guardava pedras
chuveiros de rubis
e outras peças raras
A Caixa Econômica comeu
Lenços de seda
luvas de pelica
luvas de pelica
e sapatos importados
aos poucos lhes deram adeus
Mas o tesouro que traziam
ficou aqui tatuado
nenhuma água lavou
e nem o tempo corroeu
Trago comigo
e já repasso
o maior tesouro dado:
lições, conselhos e amassos

QUE TEXTO BEM ESCRITO, SÓ PODERIA SER VOCÊ MANA, QUE TALENTO. ABELARDO JUNIOR
ResponderExcluirPoema certeiro, rápido e brilhante. No pino da medula. Cheio de ritmo e fantásticas imagens, como deve ocorrer com todo bom poema. A ideia do tempo devastando o punhal do pai em contraponto com a da Caixa corroendo as joias penhoradas da mãe é muito engenhosa. A ideia central, a do espólio, da herança incorporada, é excelente – e bem desenvolvida poeticamente. Sobretudo quando ela se superpõe à fatal herança que mais conta e fica, que é a das ‘lições, conselhos e amassos’ que damos e recebemos da vida. Que bom saber que por entre o joio que vemos vicejando por aí ainda haja espaço para puros trigos novos como o deste ‘Mapa da Mina’. Escreva mais e vá além dos posts do seu blog. Valeu e é isto.
ResponderExcluirMana,simplesmente sensacional, lindooo,profundo,emocionante, parabéns mais uma vez, e a foto da catita?! quantas coisas me lembrou.........quem sabe enhm ,fazer um livro seu,com suas poesias, suas historias !!! Sucesso com amor,sua mana.
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