OPINIÃO
A ÚLTIMA NAÇÃO INDÍGENA

Foto de Paula Lourinho - Belém/PA.
"Quem me dera ao menos uma vez, que o mais simples fosse visto como o mais importante"
(Renato Russo, Índios)
Hoje, dia em que se comemora o índio brasileiro, parabeniza-se o Estado de Sergipe pela entrega da Igreja São Pedro, totalmente restaurada, à última nação indígena sergipana, os Kariris-Xocós, em 26 de março último. Lá na Ilha de São Pedro, pertencente ao Município de Porto da Folha, resiste uma comunidade de cerca de 300 índios, que conta atualmente com o apoio de um Centro Comunitário e o Centro de Assistência Social (CRAS).
Projetos assim estimulam a auto-estima, resgatam o patrimônio cultural e viabilizam a subsistência da comunidade, já que se pretende implantar ali oficinas e cursos. Mas a escola da aldeia deve ser o maior alvo de benfeitorias. Afinal, educação e identidade cultural continuam a ser os bens mais valorosos a serem transmitidos aos índios. E não se fala aqui da cultura adquirida através da catequese, fala-se do resgate à cultura primitiva.
Sabe-se que a Igreja São Pedro não é apenas uma igreja para os Xocós, e sim um “santuário”, símbolo de proteção e resistência. Admite-se que Igreja Católica teve (e continua a ter) papel importante para os índios desta nação. Foi a Igreja que os protegeu, tal qual galinha choca, da escravidão. Ela é responsável pela existência das poucas tribos restantes. Isso é inegável. Mas os tempos são outros. As homenagens à Igreja já foram feitas. Há bastantes Jesuítas batizando as nossas ruas e praças. Estudam-se muito as suas vidas nas escolas. Mas agora é a vez de se valorizar as minorias e suas culturas, salvá-las do esquecimento. E para isso já existe uma lei, graças a Deus, ou melhor, a Nhanderuvuçú.
Todos os brasileiros, índios ou não, devem sentir-se comprometidos a fiscalizar o cumprimento da Lei 11.465/08, que inclui no currículo oficial das escolas a história sobre os povos indígenas, pois nos dias de hoje, precisa-se mesmo é de Caaporã, para salvar o resto das matas; de Iara, para limpar as águas poluídas; de Tupã, para abrandar os fenômenos naturais, tão violentos ultimamente, e do Deus Sol, para ajudar a sociedade a enfrentar a violência das cidades. Os conhecimentos de agricultura, medicina natural (fitoterapia) e ecologia dos índios precisam ser repassados a nós, ditos civilizados, urgentemente.
Mas graças a Nhanderuvuçú, muitos nativos hoje já frequentam faculdades e, espera-se, reconhecem o valor da cultura primitiva indígena para sua comunidade e para fora dela.
E que eles continuem a dançar o Toré para todos.
SIGNIFICADOS DOS TERMOS TUPI-GUARANIS (Fonte: Whikipedia):
CAAPORÃ: boca da mata "Caa = boca/Porã = mata". Protetor das matas.
IARA: "y-îara", senhora das águas.
KARIRI-XOCÓ - grupo indígena que habita na margem esquerda do rio São Francisco, originário da fusão de diversas tribos: Xocó, Fulni-ô, Natu, Caxagó, Aconã, Pankararu, Karapotó e Tingui-Botó.
NHANDERUVUÇU: energia criadora do Universo. Deus supremo, criador das almas.
TORÉ: dança ritualística dos povos indígenas do nordeste do Brasil.
TUPÃ: trovão (Tu-pá/Tu-pã/Tu-pana/ golpe/baque estrondante). Mensageiro de Nhadevuruçu.

ucas e um bicho
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