QUEM É BOM JÁ NASCE FEITO - 8ª EDIÇÃO
A DEFENSORA DAS CIDADES
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| Ana, fiel a raiz brasileira. |
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| Com o arquiteto Gândara Jr.. Amor e trabalho de mãos dadas. |
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| Ana e Elizabeth, sua irmã, em Lagarto. |
Mas a arquitetura foi, de fato, o primeiro dom despertado. Aos 11 anos ela já “desenhava por horas a fio a planta da casa dos meus sonhos”. Se as linhas do destino alheio deixaram de lhe interessar, as do desenho jamais lhe abandonaram e hoje enchem a atmosfera do atelier da Gentil Tavares, 264. O retorno à cidade maravilhosa foi bolado ali, no escritório, com o parceiro Gândara. “Participamos da licitação da Casa Civil e ganhamos”, conta com emoção sobre a volta ao segundo lar. “Sou super carioca! Nasci em Aracaju, com 7 dias fui para Lagarto, onde morei até os 7 anos. Aí conheci as maravilhas do Rio. O melhor presente que o meu pai me deu foi a oportunidade de estudar lá”, explicando que o cotidiano na capital carioca torna o jovem independente, e porque não dizer, perspicaz e mais consciente dos seus direitos e deveres. “Sempre digo aos meninos (referindo-se aos filhos Jade, Rudá e Nina): lá eu enfrentei as durezas da cidade grande e evoluí como pessoa”, conta.
“AGITAÇÕES DO HALL”
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| Show do mágico Rachid e Ana sentadinha a sua frente. |
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| Villa Madre |
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| Restauração da Prefeitura de Lagarto |
No início não foi tão fácil. Com o diploma na mão, Ana se despede do “hall” e pergunta-se: “Por onde começar?”. Na dúvida, vira educadora infantil e repórter, entrevistando ícones da música brasileira para a rádio Progresso FM, emissora de Lagarto. Era o início dos anos 80, a democracia despontava no horizonte, um bom momento para falar com Tom Jobim, Milton Nascimento e Luiz Gonzaga. Entre os arquitetos se discutia a institucionalização de uma política urbana igualitária, que promovesse o surgimento da verdadeira “cidade para todos”. Como o programa de rádio acabou, Ana atendeu ao chamado da arquitetura, cursou Planejamento Urbano (CEMUAN), arrumou as malas e rumou para a terra natal.
O QUARTETO FANTÁSTICO
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| Com a turma da especialização, em Congonhas/MG |
Enquanto aguarda a conclusão do Mercado, coloca a mão na massa e descobre o prazer de construir: “Deliciei-me projetando sanitários, móveis, jardins, pequenas reformas e visitando obras”. Os resultados do quarteto Libório, Gândara, Trope e Rocha são realmente fantásticos, a começar pelo próprio Mercado, obra reconhecida nacionalmente, e pelos projetos da Nossa Escola, totalmente integrados à natureza e muito bem definidos por uma aluna do ensino fundamental: “A minha escola tem cara de escola”. “As solicitações de Edmê Cristina e Aglacy para que projetássemos uma escola completamente integrada à paisagem foram fundamentais na adoção do partido arquitetônico em células octogonais”, refere-se Ana ao prédio do pré-escolar, cuja forma lembra um lápis grafite.
QUASE CRUCIFICADA
A restauração do Mercado Municipal de Aracaju foi, de fato, o projeto responsável pela afirmação de Ana no mercado de trabalho. Mas um desagradável incidente de percurso quase a crucifica: a queda da marquise do Mercado Albano Franco, em abril de 99, noticiada em rede nacional. “Fomos dormir arrasados com a matéria do Fantástico sobre o sinistro”, diz ela, haja vista não ter se esclarecido quem eram os responsáveis, de fato, pelo ocorrido. “Pegaram você pra Cristo?”, perguntava-lhe, à época, Monsenhor José Carvalho de Souza, diretor do Colégio Arquidiocesano, onde ela estudou na adolescência. Sanado o problema, colocados os pingos nos is, a obra ressurge em seu esplendor e funcionalidade, preservando o conjunto histórico-cultural do antigo centro portuário, tornando a vida do cidadão mais agradável, sem falar nos benefícios trazidos ao turismo e às atividades econômicas.
Em recente entrevista ao jornalista Alex Nascimento, Ana Libório declarou que “se o projeto de revitalização tivesse ocorrido em Salvador, por exemplo, a obra estaria sendo cantada em verso e prosa”. Segundo Luis Antonio Barreto, historiador e jornalista, a reurbanização dos mercados públicos deu à Aracaju uma contribuição imensurável. Não é a toa que Ana Luíza integra o livro Intervenções em Centros Urbanos – objetivos, estratégias e resultados. A coletânea organizada por Heliana Vargas e Ana Luisa Castilho, e publicada pela editora Manole, apresenta 7 projetos de intervenção urbana, em diferentes capitais brasileiras, entre elas Aracaju, com o exemplo da revitalização do centro, por Ana Libório.
Preocupada com o futuro das cidades e o desenvolvimento desordenado, que causa o caos urbano, Ana estuda Aracaju: "Apesar das mudanças, ainda vivemos numa cidade de escala ideal. Mas e a Aracaju do terceiro milênio, o que nos aguarda? Na post-modern Aracaju dos Jardins já se delineia uma nova paisagem projetada para carros em velocidade, num ambiente hostil a pedestres. Em Aracaju coexistem várias cidades: a do Plano Pirro, a dos conjuntos, a das invasões, a da combalida área de expansão e o esboço do que provavelmente será, em breve, a nossa selva de pedra. Em qual delas gostaríamos de viver? É hora de refletir, pois os tempos são outros e desenvolvimento já não rima com metropolização", finaliza.
Preocupada com o futuro das cidades e o desenvolvimento desordenado, que causa o caos urbano, Ana estuda Aracaju: "Apesar das mudanças, ainda vivemos numa cidade de escala ideal. Mas e a Aracaju do terceiro milênio, o que nos aguarda? Na post-modern Aracaju dos Jardins já se delineia uma nova paisagem projetada para carros em velocidade, num ambiente hostil a pedestres. Em Aracaju coexistem várias cidades: a do Plano Pirro, a dos conjuntos, a das invasões, a da combalida área de expansão e o esboço do que provavelmente será, em breve, a nossa selva de pedra. Em qual delas gostaríamos de viver? É hora de refletir, pois os tempos são outros e desenvolvimento já não rima com metropolização", finaliza.
UMA EM MIL
Se em algum momento a primogênita de Hernani e Rosalgina Libório duvidou ser arquiteta, estava errada. Visionária mesmo foi tia Jane, que lhe sugeriu a carreira, quando ela ainda era uma criança de lápis na mão. Acertou na mosca. Mas como Ana é craque em trocar de pele, encena vários papéis. “Da miscelânea de atividades que exerci na busca da afirmação profissional, descobri um infinito leque de atividades que a arquitetura propicia”, diz. Hoje, bem casada com a arquitetura, cria, pesquisa, atende, administra, fotografa, ilustra, aquarela, coordena e detalha, mas admite: “todo arquiteto precisa de uma equipe e, nessa composição, cada um pode fazer alguma coisa, até projetar”, resume.
A fotografia e a escrita são as outras paixões de Ana. A primeira ela nunca largou, e a segunda, mesmo sem tempo, ela se virá para manter. E me confessou, meio sem jeito, como se traísse a profissão: “Adoro escrever, acho que nasci pra isso. Gostaria de me dedicar mais a escrita”. Saber escrever é um dom que a irmã Elizabeth percebeu, assim que leu as suas primeiras cartas de amor. “Ana sempre foi exímia aluna na escola, com uma facilidade extraordinária de entendimento. Nunca precisou passar noites a fio acordada, como eu. Certa vez, encontrei umas cartas de amor escritas por ela, que me impressionaram muito. Meu Deus! Como a minha irmã escreve bem!”, pensou Beth, naquela ocasião.
A fotografia e a escrita são as outras paixões de Ana. A primeira ela nunca largou, e a segunda, mesmo sem tempo, ela se virá para manter. E me confessou, meio sem jeito, como se traísse a profissão: “Adoro escrever, acho que nasci pra isso. Gostaria de me dedicar mais a escrita”. Saber escrever é um dom que a irmã Elizabeth percebeu, assim que leu as suas primeiras cartas de amor. “Ana sempre foi exímia aluna na escola, com uma facilidade extraordinária de entendimento. Nunca precisou passar noites a fio acordada, como eu. Certa vez, encontrei umas cartas de amor escritas por ela, que me impressionaram muito. Meu Deus! Como a minha irmã escreve bem!”, pensou Beth, naquela ocasião.
Basta dar uma rápida olhada nos blogs da arquiteta para saber: ela não manda recado. “Ana nunca foi sentimentalista. Em situações adversas, apresentava opiniões diretas, porém coerentes, que às vezes nos chocavam”, conta Beth. Com os mesmos argumentos coerentes, ela faz críticas ao Plano Diretor de Aracaju e à zona de expansão, que em sua opinião põe em risco as reservas ambientais da cidade, denuncia os abusos das construtoras, fala mal da corrupção brasileira e briga pela preservação das árvores: "Num momento em que a sociedade discute o aquecimento global e a importância da preservação das árvores para o microclima, continuamos decepando as pobres coitadas". Se expressar opiniões às vezes lhe causa embaraços, o que se há de fazer? Ana, como todos os filhos da revolução estudantil, sabe de cor e salteado uma das lições do mano Caetano Veloso: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”.









Parabéns pelo trabalho (não só o de Ana, arquiteta, mas este rico registro aqui). Gostei muito do blog, pelas informações e belíssimas fotos, mas, sobretudo pelo trabalho acurado.
ResponderExcluirAbraço.
Luciano Correia
prima ja li e fiquei maravilhada com o texto tao bem escrito alem de que sou fã de Ana. Mandou bem prima!
ResponderExcluirAdorei. Isso é mesmo Ana Libório. Uma mulher à frente de seu tempo e, por isso mesmo, muitas vezes é aplaudida, outras é incompreendida, mas sempre firme nas suas convicções. Ela ainda terá o reconhecimento que merece em sua terra natal, como só ocorre com aqueles que vivem à frente de seu tempo! Parabéns a Ana e a Patrícia pela matéria.
ResponderExcluirOlá Patrícia Dantas,
ResponderExcluirparabéns pela ótima matéria sobre a nossa cameleoa.
Postei a matéria, com os devidos créditos, no ClickSergipe.
Confira neste link aqui: http://www.clicksergipe.com.br/blog.aspostagem=49839&tipo=meioambiente.Aguardo a sua permissão para a matéria poder continuar ou não.
Querida Patricia. Acabo de ler o texto que você fez "Quem é bom já nasce feito" sobre minha filha Ana Liborio, sob o título "A Ddefensora das Cidades". Quero agradecer publicamente no face. Mutio obrigada mesmo. Amei o texto. Um trabalho excelente. Também pudera, você tem o DNA de Abelardo Romero. "Filha de peixe, peixinho é".
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