QUEM É BOM JÁ NASCE FEITO - 6ª EDIÇÃO

O MUNDO DE IRIS

Iris e Cristian, a sua melhor nota.

McLuhan já dizia, muito antes de Iris Machado, 31, nascer, que o rádio transformaria o mundo numa grande “aldeia global”. De fato, principalmente após a Web, as distâncias se encurtaram. Mas não foi a tecnologia que transformou o mundo da aluna do Colégio de Aplicação da UFS. A sede de conhecimento e o amor, velhos conhecidos da alma humana, uniram Brasil e Espanha num só, o mundo de Iris, fisioterapeuta pela Universidade Federal de Pernambuco e doutora pela Universidade de Vigo, na Galícia, Espanha.


Dez, nota dez!
Nascida em Aracaju, e de férias na cidade, para rever a família, a mãe de Cristian, um belo galego de 9 meses, comemora a nota 10 atribuída à  tese doutoral em Patologia do Envelhecimento, na área de Neuroquímica, apresentada em julho último, e aguarda a renovação do seu contrato como docente na Universidade de Vigo. “Na verdade, acabo de defender a minha tese doutoral e, com um bebê, os últimos tempos foram bastante corridos. Aguardo a confirmação do concurso, para renovar o meu contrato como docente. Espero ter sorte, pois trabalho muito duro”.

O grande elo.
Enquanto mata as saudades do Brasil, Iris conta como é viver no seu mundo 2 em 1, onde várias culturas se fundem. Magrinha, pele clara e rosto suave, ela revela-se forte à medida que fala. Frágil só a aparência. Vivendo na Galícia, região autônoma ao norte da Espanha, cujo idioma é o galego, ela e Deo Arija Martínez, com quem está casada há 8 anos, falam o Espanhol. “Deo é um galego atípico, não conhece muito a língua da Comunidade Autônoma (galego), porque o pai dele era de Castilla e só falavam em Espanhol mesmo”, explica. Em casa, Iris e Deo conversam em português, discutem até os casos clínicos, já que o marido domina o idioma. “Quando o conheci, ele já falava português, porque estava trabalhando em Portugal há 2 anos”, diz.


Cristian, o elo definitivo entre os países, teve o seu nome escolhido pela sonoridade. “Decidimos que, fosse menino ou menina, o nome teria que ter a mesma pronúncia nas duas línguas, para não dar confusão”, conta Iris. Com democracia e praticidade o casal vai construindo o dia a dia nesse mix cultural. A única coisa que entristece a doutora é o fato de ter que educar o filho longe da família. Como diz, “mesmo longe, ele nunca será esquecido”, mas todos os esforços serão despendidos para que Cristian venha ao Brasil todos os anos. “Ficar 5 anos (de 2004 a 2009) sem ver a família foi horrível, por isso eu e meu marido nos fizemos a promessa de vir de 2 em 2 anos, daqui para frente, e tentaremos que o Cristian venha anualmente”.


PRIMEIRO DIA DE AULA


Encontro marcado.
Dona de uma mente “muito agitada”, que não a deixa perder tempo, Iris rumou para o norte espanhol, assim que concluiu a graduação, na UFPE, em 2003. Lá em Vigo, logo no primeiro dia de aula, da primeira especialização em Fisioterapia Desportiva, a brasileira conheceu Deo, também fisioterapeuta e sargento informático do Exército espanhol. “Conheci o meu marido no primeiro dia de aula, e ele não me deixou mais voltar. Meu Deus! Deo é um companheiro nota 10. Temos um montão de defeitos, mas somos perfeitos um para o outro”, declara.


Diferente de algumas garotas que, quando apaixonadas, se esquecem dos seus projetos, Iris faz do amor o seu combustível. Enquanto a paixão crescia, ela estudava. De 2004 a 2006 fez mais duas especializações: Bioenergética e Acupuntura, na Universidade de Santiago de Compostela, e Pedagogia, também em Vigo. Resultado: 3 especializações, notas altas e o ingresso no doutorado, sem a necessidade de cursar o mestrado. “Desde as primeiras séries obtinha boas notas, o que não significa dizer que não tivesse que estudar muito para chegar onde estou, academicamente falando”, explica.

Juntinhos, na Espanha.
Hoje doutora, e com um currículo admirável, Iris projeta o seu futuro: “Vejo-me muito além de uma fisioterapeuta. Vejo-me uma pesquisadora com vontade de se superar cada vez mais; uma docente, para transmitir da melhor maneira possível o meu conhecimento, na verdade mais do que o meu conhecimento, a minha atitude ante uma situação clínica, para que os alunos decidam como farão nas suas vidas profissionais”, conclui.

Sincera ao extremo, nunca se cala diante de uma situação que lhe pareça injusta. “Desde o colégio, sempre lutei pelo que achava correto”, diz. E até hoje, por conta da sua sinceridade, às vezes colhe tempestade: “tenho facilidade em fazer amigos, mas também inimigos, pois não me calo ante uma coisa mal feita, falando no campo profissional”, diz. Contudo, está aprendendo a ser “mais diplomática”. Segundo ela, é difícil agradar a todos com a nossa forma de ser, “pelo menos não com a minha, muito sincera e, às vezes, intransigente”, sorri.

O que Iris não disse, e o que se precisa dizer, é que o Brasil, a Espanha, o mundo (e principalmente àquele criado pela tecnologia da informação) necessita justamente é disso: sinceridade! Na sua verdade construiu um mundo rico, a sua aldeia real; longe de ser perfeito, mas único. É difícil ser sincera, mas impossível ser uma fisioterapeuta omissa. Iris está no caminho certo. Quem sabe um dia sobra tempo, sorte e...“se ganho na loteria me dedico a ser escritora, pois uma das minhas grandes paixões é a leitura”. A sorte está lançada!


Comentários

  1. JA LI E AMEI PRIMA.SUAS MATÉRIAS TÃO BEM ESCRITAS ........ADORO BJJJJJJJJJJJ

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  2. Parabéns, Patricia.

    Seu blog é muito legal!

    Um beijo,

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  3. Patrícia,
    Como vc escreve maravilhosamente bem... vamos explorá-la mais na COORJU, rsrsrs
    Parabéns pela entrevista, maravilhosa.
    Difícil para mim falar de Iris, crescemos juntas e a amo demais... beijos e sucesso para vcs duas!!

    Karla Machado

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  4. Olá, tudo bem? Li seu comentário no facebook da revista Vida Simples e fiquei muito curioso em visitar seu blog. Adorei sua "minibiografia" e a forma como escreve,tanto que virei seu fã. Sério mesmo! Espero mais postagens tuas. Abraços!
    André PaTTo

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